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Por que estou aqui? E como posso tornar-me uma pessoa melhor? – Por Robson Santarém

many-hats - evolução humanaAs pessoas costumam me perguntar o motivo de eu usar chapéu. O primeiro foi presente da Lúcia, minha mulher, na noite de Natal há muitos anos. Mas nem é por isso que uso. O chapéu me lembra muito meu avô materno. A Lúcia sempre soube disso e acho que por isso me deu de presente.

O vovô Chico era um homem muito simples, lavrador, carpinteiro, mal sabia ler e escrever, mas, para mim, era a encarnação da sabedoria. Ele sempre significou muito para mim e ainda significa. Lembro que poucos instantes antes de entrar em coma e falecer, ele segurou a minha mão e disse: meu filho, nessa vida, tudo é vaidade. Ele deixou um grande legado para mim: seus valores de integridade, honestidade, simplicidade, sabedoria, o respeito aos outros, a bondade… estão todos simbolizados no chapéu. Quando coloco o chapéu, é como ele estivesse me lembrando do quanto esses valores são importantes e que devo ser congruente com eles.

Diria até que mais que símbolo é um sacramento dos valores que prezo e me esforço para praticar em tudo o que faço. Desse modo, os valores se tornam uma bússola a me guiar em todos os sentidos e, posso dizer, que são crenças que contribuem para o processo evolutivo, uma vez que me ajudam a discernir o melhor caminho a seguir para minha autorrealização e cumprimento do meu propósito de vida.

A propósito, Richard Barrett citando Maslow, lembra que indivíduos autorrealizados são motivados por necessidades espirituais e buscam respostas para questões tais como: quem sou eu? Por que estou aqui? E como posso tornar-me uma pessoa melhor? E prossegue, em outra obra, dizendo que “encontrar seu propósito da alma e aprender a viver uma vida orientada por valores representa o primeiro nível de ativação da alma, isto é, do sentido da vida. Assim, compartilho do seu pensamento quando afirma que levar uma vida orientada por valores é uma condição indispensável para vivê-la com propósito, porque ao viver assim, somos reconhecidos, instantaneamente, como pessoas confiáveis.

Penso que devemos estar sempre atentos com a congruência – não tirar o chapéu da cabeça -, porque quem somos e o que representamos tanto pessoal quanto profissionalmente vale muito mais que os produtos e/ou serviços que vendemos.

Se para mim, isso é imprescindível como ser humano, não poderia ser diferente quando estou com o “chapéu” de coach; e mais, reflito como posso contribuir para que o coachee tome consciência do seu “chapéu” e como seus valores podem conduzi-lo na direção de sua autorrealização.

(publicado na Revista Coaching Brasil, ed. 49 de junho/17)

Robson Santarém

Robson Santarém é consultor em Gestão de Pessoas, Coach, Palestrante, Sócio-Diretor da Anima Consultoria para Evolução Humana. Autor dos livros PRECISA-SE (de) SER HUMANO – VALORES HUMANOS: EDUCAÇÃO & GESTÃO; AS BEM-AVENTURANÇAS DO LÍDER: A JORNADA DO HERÓI; A PERFEITA ALEGRIA – FRANCISCO DE ASSIS PARA LÍDERES E GESTORES (todos publicados pela Ed. Vozes) e AUTOLIDERANÇA – UMA JORNADA ESPIRITUAL (Ed. Senac Rio)

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