“TRANSIÇÃO E CRESCIMENTO” – TODOS UM DIA EXPERIMENTA – categoria: carreira e profissão

Autor: William Bridges

Há mais de duas décadas William Bridges tem ajudado pessoas e organizações a lidar de forma mais efetiva com momentos de transição e mudança.

 

Transição - Evolução Humana Consultoria

... transição gera crescimento ...

“Todo mundo quer ser alguém; ninguém quer crescer.” Goethe

Depois de passar por alguma mudança difícil, as pessoas geralmente falam  – “Eu aprendi muito com essa experiência”. Pode ser difícil colocar esse aprendizado em palavras, mas a maioria das pessoas descobre que o processo de lidar com uma transição gera crescimento e desenvolvimento. Entretanto, como Goethe disse, o caminho de crescimento não é necessariamente fácil ou confortável.

A transição gera crescimento de duas maneiras diferentes. A primeira é que ao se libertar da pessoa que você pensava ser, você percebe que algo daquilo que você considerava essencial para a sua identidade (sentido de “eu”) realmente não era. Você descobre que você ainda é “você” sem todas aquelas coisas, e essa pode ser uma grande descoberta.

A segunda conexão entre transição e crescimento é também muito importante. Na zona neutra que se segue ao término, as pessoas em transição tentam novas maneiras de ser e fazer – algumas vezes, tentam uma completa nova identidade – e descobrem que o resultado é bom. Assim elas abrem mão de algumas coisas e descobrem outras, e no processo a sua visão de si mesmas e do mundo evolui. Elas “crescem”.

Essa é a boa notícia. A notícia mais realista é que a experiência de estar em transição pode ser muito confusa e desencorajadora. Não é como outras formas de aprendizagem em que você procura por algo e então a encontra. É mais próximo de sentir que a realidade foi puxada sob seus pés e cair de quatro – e então ficar de pé e perceber que o mundo ficou diferente.

Essa é uma experiência perturbadora, especialmente quando você cresceu se acostumando em perceber o mundo da velha maneira e pensou que sabia quem você era. Mas quando a transição acontece, muda tudo isso. O término – a primeira fase da transição – destrói o mundo como você o conhecia, e a zona neutra – segunda fase – te deixa num estado estranho de não-mais isso-mas-ainda-não-aquilo, que parece similar a algum universo paralelo em que nada funciona da maneira familiar (não surpreende que Goethe disse que as pessoas não querem crescer!).

O fato é que a transição sempre foi uma profunda fonte de desenvolvimento pessoal, mas foi apenas nos últimos séculos – e até recentemente, apenas no mundo ocidental – que as pessoas tiveram que lidar com a transição por conta própria. Em outros lugares e tempos, existia treinamento para preparar as pessoas para a experiência e rituais para ajudá-las a atravessar a transição.

William Bridges - Transição, mudaça e transformação - Evolução Humana ConsultoriaProvavelmente nós não seremos capazes de recriar esses rituais a não ser numa escala individual, mas é útil de qualquer forma compreender o que os nossos antepassados recebiam na forma de esclarecimento e apoio. Essa compreensão pode ajudá-lo a perceber os momentos difíceis na sua vida de uma maneira bastante útil: como momentos de passagem não ritualizados em seu caminho de desenvolvimento. Esses seriam momentos nos quais, num outro lugar e período da história, em que haveriam rituais disponíveis para ajudá-lo. Mas esse ritual não iria materializar algo do nada. Ele simplesmente iria amplificar o processo natural de transição que já estava em curso.

Tenham sido esses rituais criados para ajudar a passagem para a velhice, casamentos, funerais ou rituais para marcar a passagem das pessoas do ano velho para o novo, eles começavam por remover as pessoas de seus ambientes antigos e aniquilando as suas velhas identidades. A mudança de cenário tinha como objetivo remover os sinais externos e apoiar os sistemas que mantinham as pessoas em seus papéis e relacionamentos familiares. A desidentificação era feita ao mudar de forma radical a aparência das pessoas: os seus cabelos eram cortados, as suas faces eram pintadas de uma única cor, e as suas roupas eram trocadas por túnicas radicalmente simples ou mesmo pela nudez.

E então se seguia alguma forma de provação, geralmente de caráter doloroso. Na sua forma mais simples, essa era uma morte simbólica – a morte da pessoa que ela era. A velha “pessoa” tinha que morrer antes que a nova “pessoa” pudesse nascer, pois essa era fundamentalmente uma experiência de morte-e-renascimento.

De muitas maneiras a vida moderna é muito diferente, mas nós também passamos por momentos em que perdemos nossos papéis ou relacionamentos dentro dos quais nós nos conhecíamos. E embora nenhum mestre da transição mude a nossa identidade visual, nós certamente chegamos a ter a experiência (como as pessoas geralmente dizem), “Eu já não consigo mais me reconhecer”. Em outras palavras, a vida moderna nos dá o equivalente experimental dos velhos ritos de passagem.

Como as nossas experiências naturalmente recapitulam a primeira (a fase de término) da transição, assim também elas o fazem na segunda (ou zona neutra) fase. Nos antigos rituais, as pessoas eram levadas para alguma área selvagem – uma floresta, um campo nevado, o cume de uma montanha, uma área desértica – onde elas podiam experimentar a si mesmas e o mundo fora do alcance do sistema de símbolos com os quais eles conviviam. Lá fora (e também fora da estrutura do tempo social), elas eram expostas às visões e vozes que o mundo cotidiano filtrava. Essa era a experiência que os Nativos Norte-americanos chamavam de “busca da visão”, e que os aborígines Australianos chamavam de “walkabout” e que outros grupos praticavam como vigílias e retiros de vários tipos.

Esse tempo era geralmente utilizado pelos mais velhos da tribo para transmitir instruções sobre o mundo espiritual ou além da realidade diária. Essas eram compreensões do mundo e da vida que eram mais apropriadas para o novo estágio da vida do que eram as antigas percepções. Com base nessas descobertas e um novo senso de identidade obtido durante o período nas áreas selvagens, as pessoas em transição então retornavam para a tribo como pessoas “novas” e “renovadas” – com novos conhecimentos, uma nova visão da vida e uma nova identidade.

No passado as sociedades tradicionais prescreviam esses momentos nos quais as pessoas iriam necessitar desse tipo de ajuda para a transição. Atualmente, esses momentos aparecem de forma imprevisível. Isso é, esses momentos aparecem sempre que uma antiga realidade ou maneira de ver o mundo tenha terminado a sua utilidade. Mas nós não reconhecemos esses momentos pelo que eles realmente são. Ao contrário, nós os vemos como situações em que nos sentimos deprimidos ou vazios “sem nenhum motivo”. Nós podemos experimentar esses momentos como em situações em que uma pessoa importante nos deixa na mão e nos faz sentir desiludidos, ou quando nossas maneiras (até então) confiáveis de lidar com o mundo perdem a sua eficácia e nos deixam confusos e derrotados; ou podem ser simplesmente momentos em que as situações perdem o sentido em casa ou no trabalho, ou quando um problema de saúde nos impede de seguir em nossa jornada, ou quando uma pessoa amada morre.

Ao invés de vê-las como chamados para nos libertarmos da nossa abordagem familiar à vida, nós vemos esses momentos como ocasiões em que tudo se despedaçou de forma inexplicável. Nós provavelmente iremos tentar colocar as coisas no seu devido lugar, onde elas “deveriam estar”. Ao vê-las como problemas a serem resolvidos, nós perdemos a mensagem que elas carregam. A mensagem: tempo de ir em frente, tempo de morrer e renascer, tempo de transição. Interpretando-as como problemas a serem resolvidos, nós perdemos o sinal de que uma oportunidade de desenvolvimento está à nossa frente.

Desde os tempos de Goethe, a vontade de “ser alguém” se tornou muito mais forte. Nossa sociedade é fluída, e as pessoas mudam para novas posições e identidades a um nível que iria impressionar os contemporâneos de Goethe. Ao mesmo tempo, nosso sucesso em resolver problemas técnicos nos convenceu de que tudo é um problema técnico esperando ser resolvido.

O caminho mais lento e indireto através do qual a transição nos conduz nos parece antiquado. Mas ainda é o caminho – o único verdadeiro caminho – de crescimento e renovação.


Obra do autor:


 


 

 

 

 

***  Nos processos de consultoria em Transição e Gestão de Mudanças realizados pela Evolução Humana Consultoria, utilizamos a metodologia de William Bridges.

 

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