PLANEJAR E IMPROVISAR: EIS A QUESTÃO!

Obra: Dupla de Repentistas – Artesão: Demostenes Xavier Juazeiro-CE

*** artigo escrito por Alexandre Henrique Santos Consultor parceiro da Evolução Humana Consultoria ***

Criatividade, inovação e heterodoxia são palavras bonitas no papel, mas no mundo sisudo e pragmático dos negócios não costumam ser ouvidas e escutadas com atenção, apreço ou simpatia

Sempre admirei os cantores populares chamados de repentistas. Na minha opinião, eles representam o máximo da coragem de se expor em público. Se considerarmos que falar para a audiência está entre os maiores temores da humanidade, chegaremos à conclusão de que eles – que ainda improvisam criando rimas – são, de fato, artistas ousados. Foram os repentistas e as idéias associadas a eles que me fizeram escrever este artigo. Idéias associadas? Sim, porque logo passei à conhecida frase de Albert Einstein: a solução de um problema não pode ser obtida pelo mesmo nível de pensamento que o criou. Caso a advertência do Pai da Relatividade proceda, só conseguiremos sobrepujar a crítica situação da economia global, se tivermos coragem para inventar soluções heterodoxas, percorrer caminhos inexplorados e nos dispormos a práticas inovadoras. Ops, vamos com calma: que é que tem a ver uma coisa com outra?

“A solução de um problema não pode ser obtida pelo mesmo nível de pensamento que o criou”. Albert Einstein

Criatividade, inovação e heterodoxia são palavras bonitas no papel, ou mesmo nas artes, mas no mundo sisudo e pragmático dos negócios não costumam ser ouvidas e escutadas com atenção, apreço ou simpatia. Teoricamente, improviso e planejamento não se bicam. São como antípodas que se excluem de maneira recíproca e completa. Ou você faz uma coisa ou você faz outra. Tradicionalmente, o planejamento dá mais e melhores frutos do que o improviso. A questão aqui colocada é que, apesar de todos os profissionais do planeta, a crise que nos acomete não conseguiu ser prevista por 99,99% dos especialistas em mercados, administração, finanças, etc. Indo mais além: as empresas e suas respectivas “estratégias de sobrevivência” não têm demonstrado agilidade e resiliência suficientes para vencer o terremoto, e menos ainda para evitar grandes e dolorosos sacrifícios humanos.

É possível incorporar ao planejamento – como parte da sua essência, e não como adorno ou meras “concessões” – espaços legítimos para a flexibilidade e a inovação? Talvez sim; mas tampouco nesse caminho encontraremos facilidades. As organizações são erguidas à imagem e semelhança das pessoas que as constituem. Por isso se diz, para elogiar e para denegrir, que a gente merece a empresa na qual trabalha. Daí,seria interessante investigar se a lentidão e a rigidez que têm impedido tantas organizações de reagir com eficiência e eficácia aos desafios fulminantes do momento não são as mesmas que impedem as pessoas – entre elas, claro, os planejadores – de praticar na gestão do cotidiano abertura, flexibilidade e protagonismo.

Para concluir, vamos retornar a metáfora da música. Inovação tem lugar e hora para acontecer: a Valsa do Minuto não será mais bem tocada ou ficará mais bonita se durar 70 segundos. Por longo tempo se acreditou na separação cirúrgica entre músicos de formação erudita e músicos de formação jazzística. Hoje há uma maneira diferente de olhar esses dois perfis. A habilidade que um desses grupos possui seria interessante para o outro grupo também possuir. Não existe incompatibilidade entre ler de maneira impecável uma requintada partitura e improvisar corajosamente ao sabor do livre arbítrio. Quiçá essa seja uma das lições que nós podemos tirar da singular crise/oportunidade que vivemos em escala mundial: precisamos urgentemente combinar técnica e sensibilidade, ciência e arte, razão e afeto. Se tal conclusão tiver algum sentido e for possível reunir, como mãos entrelaçadas, planejamento e improvisação, daremos um xeque-mate na inflexibilidade catatônica que ainda domina tantas empresas. Mas só mudaremos as empresas se as pessoas mudarem.

Numa das suas mais recentes entrevistas, o professor Manfred Kets de Vries, doutor em economia (Universidade de Amsterdam) e em administração (Universidade Harvard), considerado pela revista inglesa The Economist um dos principais pensadores atuais, martela a mesma tecla: “Nossa gestão é desapaixonada e falta amor no mundo das organizações…”

Alexandre Henrique Santos é consultor de empresas, terapeuta e coach, com cursos de especialização nos Estados Unidos, México e Polônia. Publicou Planejamento pessoal – Guia para alcançar suas metas (Editora Vozes, 2009). Realiza palestras, consultorias e workshops, no Brasil e no exterior, sobre conquista de metas, liderança, coaching e comunicação interpessoal.

Sobre a Evolução Humana – A Evolução Humana trabalha com mais de 30 consultores diagnosticando as necessidades de seus clientes em relação a desenvolvimento humano e organizacional, propondo soluções adequadas para a evolução das pessoas e processos nas empresas. Seu diferencial é o foco do cliente com soluções integradas em diferentes áreas das organizações, com treinamentos, oficinas, workshops, palestras e processos de consultoria em geral. Um de seus treinamentos aborda a questão tratada neste artigo e você pode conhecer mais detalhes clicando em:
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1 Comentário

  • Editor Master – Evolução Humana Posted 2 de julho de 2011 16:39

    Olá Ribamar, sim ele foi consultor deste Instituto. Hoje é um dos consultores parceiros da Evolução Humana.

    Abraços,

    Equipe Evolução Humana

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