Mundo novo, liderança e o autoconhecimento (artigo 1)

Mundo novo, liderança e o autoconhecimento (artigo 1)

 

<< artigo de Isabel Soares>> consultora parceira da Evolução Humana Consultoria >> 

O mundo velho, ao qual estamos tendo a oportunidade de nos despedirmos é, em termos organizacionais, caracterizado por: previsibilidade, competitividade, conteúdo, segurança, punição ao erro, controle e foco no produto ou serviço. 

Esse modelo exigia muito de nós em termos técnicos, preparação acadêmica e experiência profissional e pouco em termos de autoconhecimento.

A liderança precisava conhecer seus concorrentes e era pautada nos seguintes fatores: hierarquia verticalizada, planejamento de médio e longo prazos e formação de silos. O líder precisava ter todas as respostas.

Muitas empresas já atuavam no mundo novo (Amazon, Microsoft, Apple, Google etc.), mas da noite para o dia empresas do mundo velho foram lançadas a esse novo mundo sem dó. A quarentena imposta pela Covid-19 em todo o mundo evidenciou a tudo e a todos o que as empresas do mundo novo já sabiam: vivemos em um cenário líquido, intangível, incerto, complexo e ambíguo. O planejamento de dezembro de 2019 para o ano de 2020 não faz o menor sentido hoje.  

Temos um cenário global imprevisível, instável, o erro faz parte do aprendizado e nos aproxima do acerto, estruturas rígidas não funcionam mais, meu concorrente de amanhã é desconhecido e o meu concorrente atual pode ser um aliado, trocamos competição por colaboração, liberdade com responsabilidade e necessidade urgente de ter um propósito genuíno com foco no cliente. 

No mundo novo, para nós indivíduos o “quem eu sou” é mais importante do que “o que eu sei”. Para as empresas, o “por que eu faço o que faço” é mais importante do que “como eu faço o que faço”. 

Nessa mudança abrupta para o mundo novo, fui chamada para solucionar uma situação em que a liderança esqueceu o “por que eu faço” e tomou uma decisão com base no “como eu faço”. Eles quiseram levar para o mundo digital (mundo sem fronteiras) todo o controle do mundo analógico (mundo de fronteiras). O resultado foi que eles simplesmente esqueceram de seus clientes (o que deveria ser o foco) o que gerou confusão entre os colaboradores e caos para os consumidores dos seus serviços.

Para qualquer empresa sobreviver neste novo momento, precisamos de líderes capazes de desapegar e desaprender do antigo modelo de atuação. O líder do mundo novo é antenado globalmente e conhece o contexto do qual seu negócio faz parte, aponta o caminho, estimula boas perguntas e oferece a estrutura para a sua equipe encontrar as repostas. Ele cria um ambiente de diversidade no qual todos queiram pertencer. 

Mais do que nunca a missão do líder no mundo novo é dar permissão para um crescimento orgânico, digital, empoderando indivíduos e dando-lhes liberdade para exercerem o que cada um tem de melhor. É desprender do ego, horizontalizar a hierarquia e proporcionar a criação de complementariedade no time. 

Esta transição de hoje entre mundo velho e mundo novo é uma grande oportunidade de nos reinventarmos como seres humanos. O equilíbrio emocional, adquirido pelo autoconhecimento, que no mundo velho era opcional para a liderança, no mundo novo é pré-requisito para a sobrevivência de qualquer negócio.

“Conhece-te a ti mesmo” nos remete a conhecermos nosso mundo interno e nossa relação com o ambiente que nos cerca e só então, poderemos conhecer o outro e respeitá-lo em suas relações (com ele mesmo e com o mundo).

Um caminho de partida para adquirir o autoconhecimento é conhecer os três centros de inteligência e como nos relacionamentos com cada um deles. Todos nós temos os três centros, mas nos desenvolvemos primordialmente em um deles. 

Paradoxalmente, onde mais nos desenvolvemos aparecem também as nossas principais limitações. Esses centros estão ligados a como absorvemos o mundo externo para dentro de nós. Um líder que não tem percepção de si, vai buscar de forma inconsciente seu padrão para todas as situações, sem explorar novas possibilidades disponíveis dentro dele mesmo ou até em um membro da sua equipe.

Centro mental: responsável por raciocínio, análises, planejamento, entre outros.

Um líder cujo centro mental é mais desenvolvido vai ter enorme força em busca de soluções, análises, visão sistêmica e planejamento, mas pode ter desconexão emocional com o time, podendo ter dificuldade de engajamento e demora na tomada de decisão.

Centro emocional: responsável por processar nossas emoções, e ao como nos conectamos com o outro.

Já um líder com o centro emocional mais desenvolvido, pode ser um grande influenciador, um gestor nato de pessoas, mas pode ter dificuldades em colocar a tomada de decisão antes das relações pessoais.

Centro instintivo: responsável pelo nosso impulso de agir, realizar, ir para o mundo e também por nossas necessidades de sobrevivência (parte mais reptiliana do ser humano).

O líder que desenvolve mais o centro instintivo, pode ser ágil na resolução de problemas, gostar de grandes desafios, mas pode ser controlador, voltado para tarefas e ter pouca visão sistêmica e analítica.

Nas organizações é natural encontrar líderes criando clones em suas equipes, perdendo assim, o senso de complementariedade, ou seja, a diferença que faz a diferença em um time de alta performance. 

Nos próximos três artigos vou falar como estes centros se desdobram em nove tipos de personalidades humanas. São três estilos de liderança para cada centro de inteligência (mental, emocional e instintivo). 

Enquanto isso, meu convite é que você se observe e perceba qual pode ser o seu centro de inteligência dominante e que tenha ciência de que todos são importantes se canalizados corretamente para cada situação. Aprender o equilíbrio entre eles é uma arte.

Bem-vindo ao mundo novo e boa jornada! 

Isabel Soares

Sobre Isabel Soares:

Coach, facilitadora e consultora especialista em desenvolvimento humano e organizacional. Conhecedora profunda de Eneagrama e outras  metodologias tais como “Liderança de Alta Performance” de Patrick Lencioni.

Isabel é consultora parceira da Evolução Humana Consultoria em projetos de facilitação de desenvolvimento de lideranças.  Muito obrigado Isabel, pela generosidade de compartilhar artio seu artigo aqui em nosso BLOG.  

 

A Evolução Humana trabalha a favor da “Expansão da Consciência”. 
Essa é nossa razão de existir!

 

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