Profissão, carreira, sucesso, fama e realização… quais são os seus anseios?

Profissão, carreira, sucesso, fama e realização… quais são os seus anseios?

A Editora Mill Dreams liberou mais um capítulo do meu livro “Lentes Coloridas – uma nova visão sobre destino e missão”. Foi publicado primeiramente no Magazine Evolução Humana e agora também posso publicar aqui para vocês. Neste capítulo falei sobre 3 possíveis buscas no quesito “CARREIRA E PROFISSÃO” – Sucesso, Fama e Realização.

O que você deseja? O primeiro, o segundo ou o terceiro?

Deixo aqui meu convite para esta leitura e depois será bem mais de fazer suas escolhas.
B
oa leitura e se gostar deixe aqui seu comentário.

Grande abraço a todos,

Vania Faria Sutherberry

TEMPERO DO SUCESSO

Do livro “Lentes Coloridas – uma nova visão sobre destino e Missão”

Escrito por Vania Faria Sutherberry

Sucesso e Realização

Ana Maria nasceu numa região muito pobre, no centro do país. Aprendeu a ler e escrever com uma tia e nunca frequentou a escola. Cresceu ajudando sua família na lavoura e cultivando vegetais que eram vendidos na cooperativa próxima ao sítio onde morava. Em uma das visitas à cidade, conheceu um rapaz de nome Pedro e começaram um namoro, que depois de anos virou casamento, bodas de prata e recentemente bodas de ouro. Quando se casou, mudou-se para uma pequena casa com quintal na mesma cidadezinha e até seus setenta anos de idade nunca havia saído de lá. Trabalhou sua vida toda para criar os seus três filhos, dar escola e melhores condições de vida para todos. Ela tinha alguns sonhos quando jovem e gostaria de ver todos eles realizados. O maior deles era criar uma família feliz e permitir que seus filhos estudassem. Que seus filhos pudessem se tornar doutores. E que eles pudessem visitá-la sempre, com netinhos alegres e peraltas.

Seu segundo sonho era conhecer o mar. Um mês antes de seu aniversário de setenta anos seu filho ligou e disse para ela:

– Mãe, vou buscar você e o pai para conhecer o mar. Você passará seu aniversário lá. Faremos uma festa linda para você. Aluguei uma casa com pé na areia, em uma praia calma e ótima para você desfrutar dez dias como uma verdadeira rainha. Todos da família estarão lá, inclusive os seus dois bisnetos.

E assim foi, Ana Maria chegou aos 70 anos com a sensação de ser a mulher mais feliz do mundo. Era tanta alegria, tanta satisfação, tanta realização que não tinha palavras para descrever quão feliz se sentia. Pôde ver sua família reunida, alegre, todos os três filhos doutores em áreas distintas, netos que eram jovens saudáveis e respeitosos com os idosos e bisnetos alegres que não paravam de brincar, brigar e gargalhar.

Como você poderia descrever a vida de Ana Maria? Na minha percepção, uma vida de muito sucesso! Todas as suas ambições foram realizadas, inclusive sua missão de vida que foi dedicada a cuidar da família da melhor maneira possível. Porém, sua vida foi além do sucesso. Foi uma vida de realizações. Tiveram momentos de sofrimento, momentos de adversidades, momentos de angústia, momentos de medo, mas Ana Maria, mulher forte que foi, conseguiu superar todos os desafios e guardar consigo o que era bom. Ela é um exemplo de alguém que conseguiu unir dois elementos importantes em sua história – sucesso e realização.

Sucesso e Fama

Allana nasceu no subúrbio de uma cidade muito grande e sua família frequentava a igreja todos os finais de semana. Quando criança, ficava fascinada ouvindo as músicas dançantes cantadas pelo coral da igreja. Percebia que às vezes um dos cantores se destacava do grupo, e por vezes, dava um passo à frente e fazia solos. Começou a imitar as vozes do coral, em especial a voz de uma das cantoras solistas. Com oito anos, Allana começou a cantar no coral. Com doze já fazia parte de uma banda gospel de jovens do subúrbio. Com dezesseis anos um produtor musical descobriu sua voz. Allana tinha uma voz angelical. Alcançava agudos fortes e altos que poucos cantores conseguiam alcançar. Usou todos os seus talentos de forma brilhante, o que fez de sua obra um grande sucesso. Recebeu inúmeros prêmios musicais, participou de centenas de programas de televisão e suas canções foram trilhas sonoras de filmes famosos, o que a consagrou. Conquistou a fama mundial e suas músicas tocaram milhares de vezes em rádios de todo o planeta. Ela era uma celebridade. Uma verdadeira diva da música.

Mas, apesar de toda fama e sucesso, Allana não era feliz em sua vida pessoal. Não conseguiu conciliar sua vida profissional e sua realização pessoal. Para dizer a verdade, ela nunca parou para pensar sobre sua missão, nunca procurou um significado para sua vida. Os centenas de compromissos que a fama exigia tiravam-lhe tempo e energia para se conectar consigo mesma. Um vazio foi crescendo dentro dela e, para tentar aliviar a sensação, começou a ingerir álcool e na sequência drogas pesadas. Seus olhos eram tristes, sua pele sem brilho, em seus últimos shows ela estava nitidamente embriagada e desconectada da realidade. Allana faleceu de overdose no auge de sua carreira.

Como profissional, deixou um legado importantíssimo na música mundial. Muito provavelmente em cem anos suas músicas ainda serão cantadas e tocadas. Porém, ela não viu significado em tudo aquilo que fizera. Ela é o que podemos chamar de sucesso vazio. Apenas colocou seus dons e talentos a serviço do trabalho, mas não se conectou com os desejos de sua alma. Sua essência foi engolida primeiramente pelo sucesso e depois pela fama. A realização não fez parte da sua trajetória, infelizmente.

Fama e Realização

Ele é um rapaz muito bonito, vibrante, alegre, energético, sensível, bom comunicador, e além de tudo é muito rico e famoso. Nasceu numa daquelas famílias super tradicionais, seu avô foi fundador de um grupo econômico extremamente importante no país e teve dezenas de negócios, todos muito bem-sucedidos. Há alguns anos, seu pai assumira a presidência do conselho das empresas da família. Ele e seu irmão mais novo sempre estudaram nas melhores escolas do país e tiveram todo o suporte econômico para que pudessem entrar também nas melhores universidades do mundo. Ele estudou Business em Harvard e ao voltar para seu país, ainda com 26 anos de idade,  assumiu a direção de uma das maiores empresas do grupo.

Ele gosta muito de seu trabalho, gosta de pessoas, é um bom líder e um bom negociador. É amável com todos e ao voltar para casa todas as noites gosta de ler, tocar piano, meditar, alongar-se com movimentos de ioga e conversar com os empregados. Em suas últimas férias, ele foi para o Tibete – não para escalar o Himalaia, mas para meditar por alguns dias em um mosteiro e para conhecer a cultura da região. Voltou de lá muito feliz, em paz e realizado com sua vida. Desde cedo, ele compreendeu que seu papel na sociedade era continuar o legado da família. Ele gosta realmente de estar no comando da empresa e sabe que em alguns anos assumirá o lugar de seu pai no grupo empresarial. Não vive em conflito com isso, pelo contrário, ele se prepara para quando a hora chegar. Não é paixão que sente pelo que faz, mas gosta. Sua realização é ver que está dando continuidade ao legado da família e, sempre que pode, enaltece seu avô e seu pai como os criadores de todo o império.

Se pararmos para pensar em como ele utiliza seus dons e talentos para conseguir sucesso em suas atividades, talvez não conseguíssemos listar nem duas atividades por completo. Porém, mesmo assim, ele está feliz e realizado. Não tem ambições de ser comparado ao seu avô, que foi um homem de muito sucesso profissional, ou ao seu pai, que acabou herdando muitas características do avô e fez os negócios duplicarem.

William é também um rapaz muito famoso. Ele sinceramente não gosta das câmeras e dos paparazzis que o perseguem constantemente, desde que ele era criança. Hoje ele é considerado um dos solteiros mais cobiçados do país. Isso faz com que as câmeras se voltem para ele a todos os momentos, e ninguém se importa se ele gosta ou não.

A vida de William pode ser descrita como uma vida de fama e realização. Já o sucesso, ainda não podemos dizer que ele o tenha, pois não o vemos usando os seus dons para criar algo autêntico ou original. Mas tudo bem, ele está satisfeito com o que tem e com o que faz. Talvez esse seja o significado de sucesso para ele. Já a fama, segundo ele, preferiria não a ter. Ele acha tudo isso muito chato e detesta chamadas de capas usando sua imagem como marketing, a exemplo de uma que saiu na semana de suas férias – O melhor partido do país está sozinho no Tibete em retiro de meditação.  

Sucesso, Fama ou Realização

A fama é a sina de William, assim como foi a sina de Allana, afinal fama não se escolhe e é preciso saber lidar com ela e recebê-la com cuidado. O ideal seria se pudéssemos ter sucesso, realização e também fama. Em alguns casos, a fama não se faz necessária, até mesmo porque fama não depende única e exclusivamente de nós. Depende de fatores externos e que podem ou não cruzar nosso caminho.

Diria então que a melhor fórmula é conciliar sucesso e realização, estabelecendo um ciclo virtuoso, fantástico de ser vivido! No contexto da profissão e da carreira, ter sucesso parece ser um requisito social que qualifica quem é bom, quem é mais capaz, quem possui mais talentos e ainda quem possui mais visibilidade. Mas, na realidade, sucesso profissional é um indicador muito subjetivo. O que é sucesso para mim, pode não ser sucesso para você.

Antes de começar a escrever sobre este tema promovi um encontro em minha casa com um grupo informal de pessoas conhecidas para coletar opiniões sobre as três histórias aqui descritas para você. Foi uma discussão bonita e muito filosófica. Ficou claro para mim como as opiniões divergiram quando eu apresentei os casos. Porém, ao final, após algumas argumentações que eu coloquei na mesa, chegamos às conclusões descritas ao final de cada uma das histórias. A discussão durou em torno de vinte minutos e ficou muito claro para mim como usamos nossos filtros para julgar as situações apresentadas. Por exemplo, quando coloquei em discussão o caso da Ana Maria e contei como foi sua vida até os setenta anos de idade, fiz duas perguntas. A primeira era como você descreveria a vida de Ana Maria. A segunda, se Ana Maria foi uma pessoa de sucesso. Na história de Ana Maria, dependendo do ângulo que se olha, pode-se criar julgamentos errôneos sobre o seu sucesso, uma vez que ela nunca trabalhou fora de casa. É sabido que ela trabalhou muito mais do que muitas altas executivas quando chegaram aos setenta anos de idade. Ela teve uma vida de trabalho árduo, dedicado à família, ao lar, à arte de cozinhar, além de ser um exemplo forte de valores, principalmente de integridade.

Para mim, ela foi um grande sucesso em tudo que se propôs a fazer.  Porém, algumas pessoas do grupo inicialmente não concordaram. Por isso eu digo que a percepção de sucesso é relativa, justamente por saber que a busca pelo sucesso depende muito do tipo de motivação interna que cada pessoa possui e também da autoestima de cada um.

Um outro exemplo interessante que mostra o que acabo de dizer é a história de uma senhora que era uma excelente secretária executiva. Trabalhou trinta e cinco anos na mesma empresa até se aposentar. Falava vários idiomas e cuidava de todas as agendas, eventos e programas desenvolvidos pelos cinco principais executivos daquela grande multinacional em seu país. Todos esses executivos sabiam da sua competência, e quando outros colegas tinham problemas difíceis para resolver, eles diziam:

– Pede ajuda para a Carla que ela vai resolver rapidinho para você.

Acontece que Carla se aposentou muito ressentida por nunca ter sido promovida à executiva, ou nunca ter tido um bom salário à altura de sua responsabilidade. Para os olhos de todos que trabalharam com Carla, ela foi um exemplo de profissionalismo, competência e sucesso em sua função. Para ela, foi uma vida de sacrifícios e falta de reconhecimento. Essa história vem confirmar o que foi dito anteriormente. A percepção de sucesso é relativa, porém o mais importante é que seja você quem vai definir o seu próprio indicador de sucesso e partir em busca dele! Esse indicador será importante somente para você. Lembre-se que ao alcançá-lo você não garantirá realização pessoal ou fama. Realização pessoal dependerá do quanto você se empenhou internamente para estar bem consigo mesmo e com a vida. Já a fama depende única e exclusivamente do mundo externo. Pode acontecer ou não. Alguns preferem dizer que fama depende de sorte. Eu prefiro dizer que fama depende de dois fatores: oportunidades e dinheiro.

Agora convido você a aprofundar um pouco mais na questão do sucesso profissional. Desejar o sucesso profissional é algo que a grande maioria das pessoas almeja ao longo da carreira. Quem não quer chegar ao final da jornada profissional e ver que os anos de trabalho valeram a pena, e que o sucesso pôde ser observado em várias etapas durante o percurso? Porém, algumas questões que devem ser investigadas, quando falamos neste assunto, são: qual é a sua motivação para desejar o sucesso profissional, quais são os temperos e motivações que você usa para alcançar o sucesso profissional e qual será o indicador que deixará claro para você que você o conquistou.

Muitas vezes a motivação para o sucesso profissional está nas próprias necessidades humanas, como crescer para ter status, conquistar bens materiais, alimentar a ambição, senso de competição, obter reconhecimento, melhorar a autoestima, liberdade, ser amado, ser aceito, ser visto, ser importante, existir para o mundo, criar significado, ser útil, criar e deixar um legado, fazer diferença, melhorar a humanidade, ou tantos outros. O que motiva uma pessoa a querer o sucesso para sua profissão e carreira está relacionado ao nível de consciência, maturidade, caráter, crenças e valores desenvolvidos ao longo da vida, vivências desde a infância, exemplos de pessoas próximas e cultura familiar – tudo que compõe o que podemos chamar de essência humana.

É certo desejar o sucesso profissional. A evolução da humanidade depende deste movimento de orientação para o futuro, impregnado de positivismo! Esse movimento propicia a aprendizagem e melhoria contínua de processos e comportamentos humanos. Porém, a recomendação é que, ao buscar o sucesso profissional, a pessoa também busque o autoconhecimento. Esses dois fatores devem caminhar paralelamente. O autoconhecimento funcionará como uma chave importante para o sucesso profissional. A utilização do potencial humano, de dons, de missão de vida, de valores pessoais que orientam para tomadas de decisões e da ampliação da consciência levará você a patamares de satisfação profissional mais elevados. Caso contrário, o sucesso profissional poderá acontecer, porém com falta de propósito e objetividade.

Então eu o incentivo, para cada vez que o desejo de obter sucesso profissional lhe bater ao coração, que você faça as seguintes perguntas:

  1. Por que desejo o sucesso profissional? Qual é a minha motivação?
  2. O que eu obtenho com ele?  
  1. O que a sociedade ganha com ele?  
  1. Quais são os sentimentos que eu terei quando minhas metas de sucesso profissional forem atendidas?  
  1. O que eu serei quando meus anseios de sucesso profissional forem alcançados?

Ser um profissional de sucesso requer planejamento, determinação, utilização de talentos, definição de metas comportamentais e materiais possíveis de serem mensuradas. Fazer de tempos em tempos a calibragem para checar como anda seu plano de metas será importante para avaliar se seus objetivos e seus anseios continuam os mesmos. Pessoas mudam de acordo com as fases da vida. O que era considerado sucesso profissional para um jovem de vinte anos, pode se tornar estranho para um adulto de trinta anos e talvez utópico para o profissional de quarenta anos. E que bom que as pessoas mudam e o foco profissional também muda ao longo da vida. Nada como os anos para dizer o que será sucesso profissional para você em seus tantos anos de carreira.

Vania Faria Sutherberry – escritora, palestrante, coach, consultora especialista em cultura organizacional por valores. Membro do Barrett Values Centre desde 2008 (Reino Unido), especialista em projetos de transformação cultural, change management e coaching executivo. Autora do livro “Lentes Coloridas – uma nova visão sobre missão e destino” e co-autora do livro “A World Book Of Values”. Mais de 25 anos de experiência em projetos consultivos organizacionais e desenvolvimento de pessoas. No passado atuou como consultora sênior no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), como gerente de projetos em empresas como Grupo VR, SENAC e em renomadas consultorias internacionais. Sócia-fundadora da Evolução Humana Consultoria.

 

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